Simplesmente jogou: começou uma frase e passou para outro lado, onde nada havia além de vastos campos secos e nuvens escuras aglomeradas. Apareceu uma sombra que se perdeu do próprio dono. Procurou entre as roupas que secavam esquecidas num varal algo que lhe servisse, mas as calças que estavam lavadas foram encurtadas, para dentro da casa ele se foi então. Chegando em casa, deu de ouvidos com o radinho de pilha que estava tocando rock regressivo, e foi invadida pelo cheiro pútrido de pimentões assados, especialidade da minha vizinha espanhola louca, que tinha se mudado para o brasil porque queria comer tapioca com o Tom Zé. Acabou refém do psicopata da calcinha amarela. Um lunático que via a televisao como uma lanterna na mão direita e uma lata de spray vermelho na mão esquerda que usava pra demarcar territórios, pois tudo a oeste era seu e a leste não. De calças encurtadas, a única coisa que lhe importava era conquistar 18 territórios a leste. A sua escolha mais dificil: ter que deixar mulher e filhos para poder enfrentar os novos desafios que seriam o seu escape à monótona bigamia que era sua vida de fraldas e baldas. E assim a espanhola louca achou que a sombra era dela e passou a se sentir assim meio bipolar, meio confusa, querendo ao mesmo tempo amar a todos mas matar a todos. A única solução seria abrir uma garrafa de tequila e se juntar ao verme que morreu de claustrofobia, num êxtase etílico, solitário, mas seu. Alcoolizado pelo sono, sentiu o veludo do carpete sob o rosto. Apagou.
(criação coletiva de @om3ssa, @enadamais, @evandrolmelo, @marianaeller, @mmeborboleta, @ComplexaBel e @miksezaza)
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