Wednesday, 11 February 2015

Literatura aleatória.

O professor já estava só de cueca branca, meias, ligas e capelo. Eu podia dar esmolas a seu corpo; mas não era o corpo que sofria e sim a alma, só que esta eu não podia alcançar, como igualmente se tem visto em outros tempos e lugares são muitas as contrariedades da vida. Eu estava usando um bracelete mais ou menos assim. Não adianta estar prevenido, por mais que você fale, por mais que falemos todas, ficará sempre uma palavra por dizer. Ninguém escolhe nada e mesmo assim a responsabilidade é nossa. Hoy sé que no fue una alucinación, sino un milagro más del primer amor de mi vida a los 90 años.

(criação coletiva de @mmeborboleta, @thigimenes@miksezaza com a ajuda de Kurt Vonnegut, Gabriel Garcia Marquez, Daniel Galera, José Saramago e Herman Melville)

Thursday, 7 March 2013

A transcendência das coisas.

Se eu soubesse por onde terminar, começaria com o coração na mão e irresponsabilidade num conto, tímido, de cristal, que nos anima a fabricar, tergiversar tudo o que não tem sentido separado. Juntar o improvável para dizer... Se ele fosse transparente, seria como deveria ser, e não teríamos mais exigências, teorias ou práticas, seria o cristal transparente que só o branco do olho do cego poderia ver. Então, no meio da clareira, a lápide de cristal foi afixada. "O que escreveremos nela?", alguém perguntou. "Só o nada é infinito". Ao longe escutaram a locomotiva passar e se deram conta de que os que passavam eram eles. Trens. Que incrível essa coisa de trens e coisas, maneirismos complexos. Entretanto, passem-me a paçoca com amor, que o vinho já tá no ponto e orna bem com essa iguaria. Não há nada melhor do que tamanha alegria. Espero apenas verdades e vinhos, em beiras de abismos, contemplo o imenso mar de fantasias. Transcendo tudo.

(criação coletiva de @om3ssa, @enadamais, @marianaeller, @Polzza, @alissondahora, @lavidamacunaima e @miksezaza)

Monday, 2 April 2012

Delírios à espanhola.


Simplesmente jogou: começou uma frase e passou para outro lado, onde nada havia além de vastos campos secos e nuvens escuras aglomeradas. Apareceu uma sombra que se perdeu do próprio dono. Procurou entre as roupas que secavam esquecidas num varal algo que lhe servisse, mas as calças que estavam lavadas foram encurtadas, para dentro da casa ele se foi então. Chegando em casa, deu de ouvidos com o radinho de pilha que estava tocando rock regressivo, e foi invadida pelo cheiro pútrido de pimentões assados, especialidade da minha vizinha espanhola louca, que tinha se mudado para o brasil porque queria comer tapioca com o Tom Zé. Acabou refém do psicopata da calcinha amarela. Um lunático que via a televisao como uma lanterna na mão direita e uma lata de spray vermelho na mão esquerda que usava pra demarcar territórios, pois tudo a oeste era seu e a leste não. De calças encurtadas, a única coisa que lhe importava era conquistar 18 territórios a leste. A sua escolha mais dificil: ter que deixar mulher e filhos para poder enfrentar os novos desafios que seriam o seu escape à monótona bigamia que era sua vida de fraldas e baldas. E assim a espanhola louca achou que a sombra era dela e passou a se sentir assim meio bipolar, meio confusa, querendo ao mesmo tempo amar a todos mas matar a todos. A única solução seria abrir uma garrafa de tequila e se juntar ao verme que morreu de claustrofobia, num êxtase etílico, solitário, mas seu. Alcoolizado pelo sono, sentiu o veludo do carpete sob o rosto. Apagou.

No princípio era o verbo...

... e a ele juntamos advérbios, substantivos, adjetivos e pronomes, conjunções adversativas, disjuntivas e explicativas, em uma criação coletiva.


Começamos no twitter com a hashtag #olheojogo e os resultados ficarão registrados aqui.